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Desenvolvimento territorial e atividade econômica em pauta
Realizada em agosto de 2025, a primeira edição do Fórum de Desenvolvimento Econômico Periférico contou com mesas temáticas sobre empreendedorismo e crescimento territorial
Refletir sobre a economia das periferias e propor alternativas de combate às desigualdades econômicas e territoriais. Esses aspectos foram preponderantes para nortear os diálogos que compuseram a primeira edição do 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico da Fundação Tide Setubal.
Realizado nos dias 6 e 7 de agosto de 2025, por meio do Programa Nova Economia e Desenvolvimento Territorial, o evento teve como objetivo refletir sobre economias periféricas, compartilhando nossa experiência e somando novas reflexões, em troca com as pessoas convidadas.
A partir da atuação do programa no fomento à atividade econômica em territórios periféricos, como o Jardim Lapena, bairro da zona leste de São Paulo, alguns dos aspectos recorrentes nos diálogos que compuseram o evento passaram pela intersecção entre gênero e raça. Ou seja, a maioria populacional que ocupa postos informais de trabalho é negra e, nesse contexto, o panorama relativo a mulheres negras é emblemático.
"Há algo mais profundo que diz respeito ao modelo produtivo brasileiro, que é no sentido de as massas negras, pardas e indígenas, que foram arremessadas na economia, não terem sido absorvidas pela economia formal. Foi a partir daí que nasceu a categoria de trabalho informal e de subutilização. Para além de um mecanismo de exclusão da população racializada, o racismo é um dispositivo que molda a nossa economia." (Kenia Cardoso, coordenadora do Programa Nova Economia e Desenvolvimento Territorial)
Futuro e presente do desenvolvimento socioeconômico
A conexão entre gênero, raça e território, quando se trata de apoiar a atividade econômica em áreas periféricas, deu o tom dos painéis que formaram a programação do 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico da Fundação Tide Setubal.
Esse foi o caso, por exemplo, do painel inaugural do evento, Sentido e Futuro do Trabalho: de Keynes a Lélia Gonzalez e Nego Bispo. A mesa contou, então, com a participação das seguintes pessoas especialistas:
- Márcio Farias, psicólogo e professor do departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP);
- Vilma Martins, agricultora e integrante da organização Mulheres do GAU;
- Gilvânia Gonçalves, do Movimento dos Trabalhadores sem Direitos;
- Mariana Almeida, diretora-executiva da Fundação Tide Setubal (mediação).
A mesa de diálogos incluiu discussões e reflexões a respeito das consequências que o trabalho por meio de plataformas digitais tem sobre profissionais que aderem a esse tipo de modalidade laboral, a busca por qualidade de vida para além do mercado de trabalho e demandas das juventudes nesse contexto.
"Quais são os aspectos do formato do trabalho flexível que, do ponto de vista dos direitos, do acesso à renda, da instabilidade e da falta de previsibilidade, são possíveis de se reconhecer superbem todos os problemas disso e que, de fato, faltam políticas públicas para tratar essa parte? Que aspectos são esses em relação à condição de dignidade ao processo de formação familiar e ao ato de escolha também que acabam aparecendo? Quais os impactos disso, inclusive, na formação da relação das juventudes nas periferias com o trabalho?" (Mariana Almeida, diretora-executiva da Fundação Tide Setubal)
No segundo dia do evento, o painel Pequena Indústria Local como Alternativa para a Reorganização Produtiva foi mediado por Kenia Cardoso. A roda de conversa teve também a participação de Kelly Cristiane de Souza, empreendedora (Coopellap); Demétrio Toledo, sociólogo e docente da Universidade Federal do ABC (UFABC); Marcos Lima, gestor de portfólio de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e Vahid Vahdat, diretor-adjunto do Instituto Veredas.
Já a mesa de encerramento do 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico da Fundação Tide Setubal, Consumo e Luxo nas Periferias, mediada por Marcelo Ribeiro, gerente de Projetos Estratégicos da Fundação Tide Setubal, contou com a participação de:
- Uvanderson Silva, coordenador do Programa Democracia e Cidadania Ativa da Fundação Tide Setubal;
- Tiaraju Pablo D'Andrea, sociólogo e docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp);
- Lidiane da Silva, pesquisadora periférica;
- Adriana Barbosa, CEO da PretaHub.
O painel abordou aspectos como o apoio às iniciativas de pessoas empreendedoras das periferias e o impacto do consumo no imaginário popular. Desse modo, o consumo pode ser um elemento estratégico para compreender a periferia – mas não o único.
Nesse sentido, o campo progressista tem como desafio desenvolver projetos voltados à inclusão produtiva nas periferias para além da construção de políticas públicas. E, ao compreender as mudanças socioeconômicas e comportamentais que aconteceram nesses territórios, esse segmento precisa apoiar a atividade econômica local.