Ficha Técnica

Edição: Fernanda Nobre

Concepção editorial: Amauri Eugênio Jr. e William Luz

Textos: Amauri Eugênio Jr.

Revisão: Lupa Texto

Projeto gráfico e diagramação: Gaya Vieira

Programação: Kelvin Crisos

Fotos: Tiago Queiroz (Foto Home) / Marcos Morais (Aviva e Festival Cria na Vila) / Daisy Serena (lançamento da websérie Ancestrais do Futuro) / José Cícero / DiCampana Foto Coletivo (fotos da equipe) / Domenica Pedroso (+Lapena Habitar e cerimônia do IV Prêmio Orçamento Público, Garantia de Direitos e Combate às Desigualdades) / Tamara dos Santos (Encontros Bongola) / Divulgação / Lucas Santos (1° Fórum de Desenvolvimento Econômico Periférico da Fundação Tide Setubal) / Baeta Fotografia (parceria técnica com a Prefeitura de São Luís-MA)

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Territórios da saúde mental

Iniciativa da Fundação Tide Setubal e da Casa de Marias forma rede local de profissionais e lideranças para oferecer acolhimento a pessoas submetidas a sofrimento psíquico no Jardim Lapena

Oferecer escuta qualificada e acolhimento em saúde mental. A partir de diagnóstico realizado com a população do Jardim Lapena, bairro da zona leste de São Paulo, no qual se identificou a existência de índices elevados de sofrimento psíquico, as equipes do Programa Saúde Mental e Territórios Periféricos e da área de Prática de Desenvolvimento Local idealizaram e colocaram em prática um projeto para reverter esse quadro.

A iniciativa consiste em um curso realizado no Galpão ZL, núcleo de Prática de Desenvolvimento Local da Fundação Tide Setubal situado no Jardim Lapena, em parceria com a organização Casa de Marias, voltado para profissionais e lideranças comunitárias e que objetivou promover ações para escuta qualificada e acolhimento em saúde mental.

Ao dialogar com uma das razões de ser do Programa Saúde Mental e Territórios Periféricos – "valorização das potencialidades locais e das iniciativas territoriais" –, a iniciativa surgiu como uma estratégia para fortalecer a rede de proteção existente. Vale destacar também o princípio do qual partiu o diagnóstico que motivou o desenvolvimento do projeto:

"Marcadores como raça, classe, gênero e território influenciam diretamente quem está mais ou menos exposto à precariedade da vida material, reprodutora de muito sofrimento psíquico."

Adaptação e escuta

As consequências de uma enchente que ocorreu no Jardim Lapena no início de 2025 influenciou a estruturação do projeto. A saber, a ocorrência de desastres naturais no bairro culminou em trabalho de assistência psicológica à população do bairro.

"A gente decidiu antecipar o trabalho, fazendo quatro grupos de acolhimento e de escuta, sendo dois para mulheres adultas e dois para crianças. Isso porque era, realmente, uma situação emergencial e de crise que precisava de uma resposta muito rápida." (Ana Carolina Barros Silva, diretora geral da organização Casa de Marias)

A partir dessa dinâmica – e do relatório resultante da escuta da população –, o processo formativo para lideranças e agentes do bairro foi norteado.

Nesse sentido, o curso propriamente dito, que teve início em agosto de 2025, contou com cerca de 25 pessoas de instituições como escolas, Centros de Educação Infantil (CEIs), lideranças do grupo Guardiãs do Território e do próprio Galpão ZL. Além disso, o ciclo formativo foi complementado por mentorias personalizadas para cada instituição, as quais foram conduzidas por terapeutas da Casa de Marias.

Finalmente, o escopo do curso reflete outro aspecto norteador do trabalho realizado pelo Programa Saúde Mental e Territórios Periféricos: democratizar o acesso a cuidados com a saúde mental é uma das dimensões do enfrentamento das desigualdades. E ações com esse perfil devem ser implementadas em caráter multidisciplinar e por meio de trabalho em rede.

"Não tem como a gente pensar em justiça social e não olhar o quanto as pessoas estão adoecidas, porque a injustiça adoece." (Mauricélia Martins, analista de Programas e Projetos da Fundação Tide Setubal)

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